O uso pedagógico dos mapas conceituais no contexto das novas tecnologias

O USO PEDAGÓGICO DOS MAPAS CONCEITUAIS

NO CONTEXTO DAS NOVAS TECNOLOGIAS

Juliana Souza Nunes*

RESUMO

O presente artigo destaca alguns aspectos da investigação realizada no âmbito do Euromime (Mestrado Europeu em Engenharia de Mídias para a Educação) sobre o uso pedagógico dos mapas conceituais. Essa pesquisa teve por objetivo identificar como e para quê os mapas conceituais estão sendo utilizados especificamente por meio de Tecnologias da Informação e da Comunicação. Através de um questionário aplicado em docentes de todos os níveis de ensino e áreas do conhecimento no Brasil, identificamos as funções didático-pedagógicas e o papel atribuídos aos mapas conceituais no processo de ensino e aprendizagem.

Palavras-chave: Tecnologias da Informação e da Comunicação, tecnologia educativa, aprendizagem significativa, mapas conceituais.

ABSTRACT

This paper presents some aspects of the research conducted within the framework of Euromime (European Master in Media Engineering for Education) about the pedagogical use of conceptual maps. The objective of this research was to identify how and what for conceptual maps are been used specifically through Information and Communication Technologies. Through a survey with teachers from all levels of education and knowledge areas in Brazil it has been possible to identify the educational functions and the role assigned to conceptual maps in the teaching/learning process.

Keywords: Information and Communication Technology, technologies applied to education, significant learning, conceptual mapping.

INTRODUÇÃO

O estudo realizado abordou a utilização que os docentes brasileiros estão fazendo de ferramentas de Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) em sua prática pedagógica. Embora os mapas conceituais tenham sido criados na década de 70, seu uso ganhou força nos anos 90 quando surgiram as ferramentas informatizadas que possibilitam sua construção e seu compartilhamento.

A utilização dos mapas conceituais ainda é pouco explorada e muitas vezes equivocada. Ao usá-los, é inevitável uma mudança na forma de ensinar e aprender exigindo do aluno um esforço para trilhar caminhos diferentes na construção do seu conhecimento uma vez que muda bastante a forma com que se expressa. Esse artigo, através do estudo realizado, retoma a discussão sobre a utilização dos mapas conceituais, considerando o seu potencial como ferramenta no âmbito das TIC aplicadas à Educação. Referindo-nos não apenas a inovação pedagógica através dos recursos tecnológicos, mas também ao potencial que estas ferramentas têm para a aprendizagem colaborativa e para o desenvolvimento de competências.


OS MAPAS CONCEITUAIS NO CONTEXTO EDUCATIVO ATUAL

Diante do contexto da sociedade em que vivemos, a chamada Sociedade da Informação e do Conhecimento, podemos deduzir a necessidade de um novo paradigma educativo que atenda as suas demandas. Embora os mapas conceituais tenham surgido há mais de 30 anos, seu uso pedagógico nos parece bastante pertinente atualmente e será cada vez mais adequado a este novo contexto.

Foi buscando uma forma mais fidedigna para avaliar o processo de aprendizagem que o cientista norte-americano Joseph Novak [1] desenvolveu os mapas conceituais. Ao criá-los, Novak baseou-se na teoria da aprendizagem significativa de David Ausubel, especificamente na premissa de que esta “ocorre quando a tarefa de aprendizagem implica relacionar, de forma não arbitrária e substantiva (não literal), uma nova informação a outras com as quais o aluno já esteja familiarizado, e quando o aluno adota uma estratégia correspondente, para assim proceder” (AUSUBEL, NOVAK e HANESIAN, 1983).

González (2008) nos afirma que o modelo emergente construtivista tem se mostrado muito mais adequado para liberar o potencial criativo dos alunos, facilitando a aprendizagem significativa, isto é, uma aprendizagem oposta à memorística por recepção mecânica, que é predominante ainda nos dias de hoje. Essa aprendizagem capacita os alunos para construírem o seu futuro de forma criativa e construtiva, sendo mais pró-ativos que reativos. No que se refere ao papel dos mapas conceituais nesse âmbito, o autor complementa que o marco teórico desenvolvido por Ausubel e por Novak constitui um sólido apoio para o tratamento dos distintos problemas específicos de uma autêntica reforma da Educação. E é no seio desse marco que surgiram as poderosas ferramentas instrucionais como o mapa conceitual (GONZÁLEZ, 2008).

E ENTÃO, O QUE É UM MAPA CONCEITUAL?

Quando nos vem em mente a palavra “mapa” logo associamos a uma representação de uma superfície ou área geográfica, um caminho que pretendemos percorrer ou um roteiro que nos leva a algum lugar. Assim como um mapa geográfico pode representar um espaço físico através das relações entre lugares, o mapa de conceitos seria um roteiro de aprendizagem que representa o conhecimento através das relações estabelecidas entre ideias ou conceitos. Ao construir um mapa, o aluno pode traçar o seu próprio roteiro de acordo com as ideias que ele tem sobre um tema, a fim de esclarecê-lo e chegar a dominá-lo de acordo com as suas necessidades.

Em outras palavras, o mapa conceitual é uma ferramenta que ajuda alunos e professores perceber os significados da aprendizagem. Novak os define como ferramentas educativas que externalizam o conhecimento e melhoram o pensamento, tendo como objetivo representar relações significativas entre conceitos na forma de proposições. Ausubel et al (1983) definem conceito como objetos, eventos, situações ou propriedades que possuem atributos de critérios em comum e que designam mediante algum signo ou símbolo, tipicamente uma palavra com um significado genérico. Dois ou mais conceitos unidos por uma palavra de ligação forma a proposição. Entende-se por proposição uma ideia composta expressa verbalmente numa sentença, contendo tanto um sentido denotativo quanto um sentido conotativo, as funções sintáticas e as relações entre palavras (AUSUBEL et al, 1983).

Desta forma, as diversas proposições compõem os significados dos conceitos que são aprendidos, o que foi constatado por Novak durante o estudo que realizou e que o levou a criar esta ferramenta. Percebeu-se que os significados a cerca de um conceito construído são um conjunto de conceitos relacionados em crescente ligação proposicional entre o conceito central e os conceitos relacionados a ele. E, então, podemos dizer que um mapa conceitual é um recurso esquemático para representar um conjunto de significados conceituais incluídos numa estrutura de proposições (NOVAK e GOWIN, 1999). Por isso, esta construção é feita geralmente a partir de uma pergunta de partida. No exemplo ilustrado abaixo foi construído um mapa conceitual que respondesse “O que são mapas conceituais?” e procura sintetizar os conceitos que foram apresentados anteriormente:

Figura 1 : O que são mapas conceituais?

material ju 1

POR QUE MAPAS CONCEITUAIS?

Muitas são as possibilidades de ser trabalhar pedagogicamente com os mapas conceituais. Para conhecermos como estão sendo usados propomos no instrumento da pesquisa de campo dez possibilidades de uso que foram baseadas, fundamentalmente, na teoria de Ausubel e de Novak. Os docentes consideraram as funções que utilizam, analisando se atingem os objetivos pretendidos e se obtêm êxito em aplicá-las no processo de ensino e aprendizagem. Apresentamos então as funções didático-pedagógicas que foram abordadas no estudo, são elas:

1. Apoio instrucional: neste caso os mapas podem ser usados pontualmente para dar uma instrução sobre uma atividade a ser executada ou para dar orientações sequenciais sobre um determinado tema.

2. Organizadores prévios: este conceito está presente na teoria da aprendizagem significativa de Ausubel (Ausubel et al, 1983) quando nos diz que o mais importante no ato de ensinar é descobrir o que o aluno já sabe. Segundo Faria (1995) o objetivo é usar o mapa para estabelecer uma ponte cognitiva entre as ideias disponíveis pertinentes dos alunos e o novo material de aprendizagem. Ou seja, é fundamental orientar o aluno para que ele faça as conexões das novas informações ensinadas com conceitos relevantes estabelecidos em sua estrutura cognitiva.

3. Desenvolvimento dos conteúdos: estamos de acordo com Faria (1995) quando nos coloca que o conhecimento não é estático e está sendo continuamente reconstruído, à medida que ele se envolve em novas experiências e reflete sobre as mesmas. Quando os mapas conceituais são construídos no início em que um determinado tema ou conteúdo é apresentado (quando são utilizados como organizadores prévios) e o mesmo é revisado, repensado e reelaborado ao longo das aulas, podem revelar as mudanças ocorridas na estrutura cognitiva do aluno. Essas possibilidades permitem que o aluno e o professor conheçam o processo de construção do conhecimento sobre o conteúdo ou tema em questão, podendo enriquecê-lo, pois de acordo com González (2008) “aprendemos acrescentando novos conceitos à estrutura existente, que por esta causa se modifica com o tempo. Enquanto se produz nova aprendizagem, esta se fortalece uma vez que se incorpora a um sistema já existente”.

4. Síntese dos conteúdos trabalhados: no final de uma aula ou de um curso, os mapas conceituais podem representar um resumo esquemático do que foi aprendido, formado pelo número de ideias-chave de uma aprendizagem específica.

5. Compartilhar informações: neste caso em específico, nos referimos a possibilidade de disponibilizar o conhecimento que foi construído para compartilhá-lo. Esse modelo de conhecimento pode ser construído através das outras funções didático-pedagógicas aqui citadas e disponibilizado na Internet. Alguns softwares permitem que após a construção do mapa seja possível transformá-lo em uma página web, numa imagem ou qualquer outro formato que possa ser enviado por correio eletrônico ou publicado num diário digital. O Cmap Tools [2] , por exemplo, oferece um ambiente servidor em que os mapas podem ser armazenados e consultados de qualquer ponto da rede.

6. Construção colaborativa em grupos do mesmo nível de ensino e (7). Construção colaborativa com outras instituições de ensino: para ambos os casos, algumas ferramentas permitem que mapas possam ser construídos colaborativamente de forma síncrona ou assíncrona. Os estudantes podem construí-lo presencialmente e também elaborar o mesmo mapa ao mesmo tempo com outros colegas.

8. Avaliação: os métodos tradicionais limitam-se a diagnosticar a recuperação dos conhecimentos armazenados na memória, sem estar na maior parte dos casos inter-relacionados nem hierarquizados, por não terem sido aprendidos significativamente (GONZÁLEZ, 2008). O mapa conceitual é uma alternativa para uma avaliação coerente com a teoria da aprendizagem significativa, pois “centrar-se no rendimento do aluno e na sua intervenção na realização de práticas que conectam sua aprendizagem com a experiência do mundo real” (González, 2008).

9. Portfólio: essa função está relacionada com o uso do mapa para o desenvolvimento dos conteúdos. Utilizando as possibilidades de armazenamento de mapas conceituais de algumas ferramentas, alunos e professores podem acrescentar elementos e conceitos em um mapa e organizá-lo como portfólio de aprendizagem. De acordo com Sá-Chaves (2004), esse instrumento traduz um conjunto de trabalhados produzidos num determinado período de tempo, proporcionando uma visão ampla do processo de construção da aprendizagem e modificações na estrutura cognitiva desse aluno considerando os diferentes componentes do seu desenvolvimento cognitivo, metacognitivo e afetivo.

10. Reflexão crítica: os alunos podem ser estimulados a refletir sobre o seu processo de pensamento, fazendo registros diários a partir das experiências com os mapas elaborados. Segundo Novak e Gowin (1999) o pensamento refletivo é o fazer algo de forma controlada, que implica levar e trazer conceitos, bem como juntá-los e separá-los de novo. O ato de fazer e o refazer mapas conceituais pode auxiliar esse processo sobretudo se o compartirmos com outras pessoas.

Essas funções não se excluem, a maioria delas pode ser utilizada conjuntamente ou mesmo em diferentes circunstâncias de acordo com o contexto pedagógico e a necessidade do momento em que os mapas são aplicados. O interessante é perceber quão rico é o seu papel no processo de aprendizagem que seguramente se torna significativo.

A construção de mapas não exige, obrigatoriamente, recursos tecnológicos. Porém, diversos programas de computador de edição de mapa conceitual estão disponíveis na Internet e potencializam o uso pedagógico dessa ferramenta suportado pelas TIC. Além da possibilidade de alterar um texto, escrevendo, apagando e formatando com facilidade, utilizar uma ferramenta tecnológica nos oferece uma infinidade de aplicações através da Internet. Por exemplo, é possível construir um mapa conceitual colaborativamente também a distância; podemos publicá-lo em servidores onde outras pessoas podem acessá-lo e podemos exportá-lo como página web ou como uma imagem. Em um mapa conceitual podemos agregar aos conceitos imagens, vídeos, páginas web, textos, planilhas, apresentações e, inclusive, outros mapas conceituais. Utilizando os buscadores de alguns programas, podemos encontrar outros mapas de acordo com o nosso interesse e podemos compartilhar o nosso. Um recurso interessante é o de gravação: um mapa conceitual pode ser gravado desde o início permitindo o acompanhamento posterior de todo o seu processo de construção. Além disso, eles são facilmente armazenados, podendo ser organizados como portfólios e visualizados de forma que permita acompanhar a evolução da estrutura cognitiva do seu autor.

Complementamos a estas possibilidades a seguinte afirmação de Juan de Pablos Pons: “a evolução da tecnologia, não teve como meta fins educativos. Esta, em si mesma, não significa uma oferta pedagógica como tal. O que acontece é que sua validez educativa se sustenta no uso que os agentes educativos fazem dela” (DE PABLOS, 2006). Com isso, buscamos retomar a utilização das TIC através dos mapas conceituais acreditando que o uso eficiente que o professor faz destes recursos, contribui para que a instituição escolar solidifique a pertinência do seu papel diante da demanda da chamada Sociedade da Informação e do Conhecimento.

Nesse ínterim, também abordamos algumas competências de aprendizagem [3] que podem ser desenvolvidas a partir dessas funções didático-pedagógicas dos mapas conceituais. Como por exemplo, a capacidade de investigar e buscar informações e, subsequente a essa, a capacidade de analisar e sintetizar informações; a capacidade de classificar e ordenar conceitos e a capacidade de estabelecer relações definindo implicações de causalidade entre conceitos e ideias que estão relacionadas entre si e com as competências anteriores. Enfim, a capacidade de construir conhecimento e, consequentemente, a capacidade de externalizá-lo também fazem parte dos grandes desafios para a elaboração de mapas conceituais e do processo de aprendizagem.

Para González (2008) a avaliação dentro do novo paradigma educativo deveria centrar-se na capacidade de resolver problemas que o aluno demonstra, juntamente com o desenvolvimento de outras habilidades mais complexas. Como por exemplo, no âmbito das TIC aplicadas à educação, a capacidade de trabalhar colaborativamente e cooperativamente e a capacidade de utilizar ferramentas e recursos tecnológicos que podem ser desenvolvidas conjuntamente através da construção digital de mapas.

A capacidade de aprender é a principal competência a ser desenvolvida através da metodologia dos mapas. Haja vista que uma das obras mais conhecidas de seu criador, Joseph Novak, chama-se “Aprender a aprender”. Para Novak e Gowin (1999), estimular a aprendizagem significativa dos alunos é também ajudá-los a perceberem a natureza, o papel dos conceitos e as suas relações, assim como elas se configuram em suas mentes e no mundo exterior.


DESTAQUES DO ESTUDO DESENVOLVIDO

Buscando responder como e para quê os mapas conceituais estão sendo utilizados no Brasil, constatamos que embora eles tenham sido criados na década de 70, a sua utilização não é predominante na prática pedagógica dos docentes brasileiros. Dado que correios eletrônicos foram enviados para instituições de ensino, autores de trabalhos dentro da temática e listas de discussão sobre TIC e mapas conceituais aplicados em educação, não garantiram a grande participação de docentes que atendessem o critério uso pedagógico dos mapas conceituais.

Os docentes que declararam usar um software específico para construir mapas conceituais estão usando o Cmap Tools (cerca de 80% deles). Esse dado vem de encontro com algumas das funções didático-pedagógicas e competências que foram consideradas pela maioria dos docentes, uma vez que nem todas as ferramentas disponíveis permitem explorá-las. A fácil utilização dessa ferramenta permite o valor adicionado que supera a facilidade da aproximação ao mundo das novas tecnologias, por parte dos professores que, em geral, apresentam uma tendência não muito entusiasta em relação à aplicação da cultura das novas tecnologias em seu papel docente, por uma parte, devido a preconceitos e, de outra, a existência de uma proverbial desconfiança para alcançar um grau de domínio aceitável de uma ferramenta informática (González, 2008).

Vimos então que o uso de mapas no Brasil vem aumentando, sobretudo através de recursos tecnológicos. Embora os recursos disponíveis atualmente na Internet possam facilitar o trabalho entre diferentes níveis de ensino e colaborativamente com outras instituições, eles ainda são pouco explorados. Destacando-se então, como dinâmica de uso prevalecente, o trabalho em grupo no mesmo nível de ensino e na mesma instituição.

Partindo das funções didático-pedagógicas sugeridas, destacamos que as competências que estão diretamente relacionadas com a elaboração de mapas estão sendo consideradas significativamente pelos docentes. Complementamos que estão sendo usados principalmente para o desenvolvimento de competências como: a capacidade de classificar e ordenar conceitos; a capacidade de analisar e sintetizar informações e a capacidade de estabelecer relações definindo implicações de causalidade entre conceitos e ideias.

Além dessas, os docentes também consideram que através do uso dos mapas conceituais outras competências podem ser desenvolvidas, tais como: a capacidade de utilizar ferramentas e recursos tecnológicos, a capacidade de investigar e buscar informações, a capacidade de construir conhecimento e a capacidade de aprender.

Foi possível afirmar que todas as competências de aprendizagem que foram sugeridas nesta pesquisa estão sendo desenvolvidas através da utilização de mapas conceituais. Assim como as funções didático-pedagógicas a eles atribuídas, os docentes declaram que todas elas são desenvolvidas em maior ou menor grau.

Enfim, a teoria da aprendizagem significativa juntamente com os estudos que estão sendo realizados têm apresentado os mapas conceituais como uma metodologia de ensino promissora no contexto da Sociedade da Informação e do Conhecimento.

Atualmente, um amplo quadro teórico impulsiona ricas experiências de aplicações dos mapas desde a Educação Infantil até o Ensino Superior, nas diversas áreas do conhecimento. Embora tais experiências estejam solidamente fundamentadas, os mapas conceituais ainda são pouco conhecidos. Porém, seu uso está crescendo no Brasil devido à iniciativas direcionadas para a formação de professores e aplicações pedagógicas, todas voltadas para a difusão do mapa conceitual como uma ferramenta no âmbito das TIC.

Considerando o panorama do ensino no Brasil, carente de uma sistematização da metodologia de Novak, juntamente com a teoria da aprendizagem significativa de Ausubel, a disseminação do uso dos mapas conceituais não nos parece utópica. Conhecer essa ferramenta e trazê-la para o dia-a-dia da prática dos docentes vem de encontro com as necessidades emergentes do atual sistema de ensino.

BIBLIOGRAFIA

AUSUBEL, D. P., NOVAK, J. D. y HANESIAN, H. (1983). Psicologia Educativa: un punto de vista cognoscitivo. México: Trillas.

CABERO, J. (2007). Las nuevas tecnologías en la Sociedad de la Información. In J. Cabero (Coord.) Nuevas Tecnologías aplicadas a la Educación. p.1-19. Madrid : Mc Graw-Hill.

CAÑAS, A. J., FORD, K. M., HAYES, P. H., REICHHERZER, T., SURI, N., COFFEY, J. W., CARFF, R. y HILL, G. (1997). Colaboración en la Construcción de Conocimiento Mediante Mapas Conceptuales. Palestra apresentada no VIII Congresso Internacional sobre Tecnologia e Educação a Distancia. Anais da Conferência, p. XXV- XLII. San José, Costa Rica.

CAÑAS, A. J., COFFEY, J. W., CARNOT, M. J., FELTOVICH, P. J., FELTOVICH, J., HOFFMAN, R. R. y NOVAK, J. D. (2003). A Summary of Literature Pertaining to the Use of Concept Mapping Techniques and Technologies for Education and Performance Support. Relatório técnico submetido ao Chief of Naval Education and Training. Pensacola, FL. Arquivo pdf disponível em: http://www.ihmc.us/users/acanas/Publications/ConceptMapLitReview/IHMC%20Literature%20Review%20on%20Concept%20Mapping.pdf

DE PABLOS, J. (1998). Nuevas tecnologías aplicadas a la educación: una Introducción. In J. De Pablos e J. Jiménez (Coord.). Nuevas Tecnologías, Comunicación audiovisual y Educación. Barcelona: Cedecs Editorial.

__________ (2002). La tecnología educativa en el marco de la sociedad de la Información. Revista Fuentes, n. 4, p. 1-7.

__________ (2006). A visão disciplinar no espaço das tecnologias da informação e comunicação. In J. M. Sancho e F. Hernandez (Coord.). Tecnologias para transformar a educação. p. 63-83. Porto Alegre: Artmed.

FARIA, W. (1995). Mapas conceituais: aplicações ao ensino, currículo e avaliação. São Paulo: EPU.

GONZÁLEZ, F. Mª. (2008). El Mapa Conceptual y el Diagrama V – recursos para la Enseñanza Superior en el siglo XXI. Madrid: Narcea.

GONZÁLEZ, F. Mª. y NOVAK, J. D. (1993). Aprendizaje significativo: técnicas y aplicaciones. In: Educación y futuro: monografias para la reforma. v.18. Madrid: Cincel S.A.

NOVAK, J. D. (1990). Teoría y práctica de la educación. Madrid: Alianza Editorial.

__________ (1998). Conocimiento y aprendizage: los mapas conceptuales como herramientas facilitadoras para escuelas y empresas. Madrid: Alianza Editorial.

__________ (2008). Prólogo. In F. Mª González. El Mapa Conceptual y el Diagrama V – recursos para la Enseñanza Superior en el siglo XXI. Madrid: Narcea.

NOVAK, J. D. y GOWIN, D. B. (1999). Aprender a aprender. 2. ed. Lisboa: Plátano Edições Técnicas.

SÁ-CHAVES, I. (2004). Portfolios reflexivos: Estratégia de Formação e de Supervisão. 2ª ed. Aveiro: Universidade de Aveiro.

PERGUNTAS SOBRE O TEMA ABORDADO NESTE ARTIGO

1. Qual a idade ideal para introduzirmos o uso do mapa conceitual?

Não existem recomendações quanto ao nível ideal de iniciação aos mapas conceituais, mas o seu uso obedece uma certa lógica em relação ao nível de complexidade do processo de aprendizagem, isto é, eles são mais usados no Ensino Médio e Superior. Novak e Gowin (1999) nos dizem que não há nenhum modo padronizado de introduzi-los, várias abordagens já foram experimentadas em diversas situações e todas parecem ser prometedoras. Quanto ao uso na Educação Infantil e nas séries iniciais do Ensino Fundamental, aconselhamos começar a traçar mapas conceituais em grupo utilizando cartolinas ou papéis coloridos para fazer colagens que possam ser facilmente modificadas, na lousa ou até mesmo no chão.

2. Como diferenciamos um mapa conceitual de um mapa mental?

Muitas vezes um mapa conceitual é confundido com um mapa mental. Poderíamos dizer que um mapa conceitual engloba todas as características de um mapa mental, mas o contrário não é verdadeiro. Em ambos os casos podemos visualizar relações e dependências entre conceitos e temas, reduzimos a quantidade de símbolos com que temos que lidar permitindo uma visão geral em um único campo visual. A principal distinção entre as duas técnicas, é a frase de ligação como função estruturante do mapa conceitual, representadas entre os seus conceitos. No mapa mental os conceitos estão organizados hierarquicamente, mas não têm entre si uma palavra que traduza essa relação. Podemos perceber as particularidades de um mapa conceitual e um mapa mental observando suas representações gráficas. Um mapa conceitual não tem uma ordem ou hierarquia padronizada, dificilmente encontramos mapas conceituais parecidos em sua estrutura. Enquanto que o mapa mental segue uma estrutura em que as palavras-chave (conceitos) se irradiam e se desdobram a partir de um centro. Pedagogicamente ambas as ferramentas têm seu valor e potencial. No entanto, a construção dos mapas conceituais permite conhecer o processo de aprendizagem através da externalização da estrutura cognitiva sobre um determinado assunto. Dessa forma, se torna evidente a natureza do que foi aprendido, tornando-se mais significativo para aquele que o constrói.

3. Quais são as ferramentas que podemos utilizar para a construção de mapas conceituais?

Diversas ferramentas para construir e compartilhar mapas conceituais são disponibilizadas gratuitamente na Internet. Destacamos algumas que possibilitam a criação de nós (conceitos), frases de ligação e proposições significativas e que podem promover ativamente a inserção de outros elementos (imagens, vídeos, textos, páginas web):

· Axon Idea Processor, disponível em: http://web.singnet.com.sg/~axon2000 .

· Cmap Tools, disponível em: http://cmap.ihmc.us .

· Compendium, disponível em: http://compendium.open.ac.uk .

· Hypersoft Knowledge Manager, disponível em: http://www.concept-maps.com .

· Inspiration, disponível em: http://www.inspiration.com .

· Nestor, disponível em: http://www.gate.cnrs.fr/~zeiliger/nestor.htm .

· SMART Ideas, disponível em: http://smarttech.com/products/smartideas .

foto ju

*Juliana Souza Nunes

Pedagoga, especialista em Tecnologia Educacional, mestre em Engenharia de Mídias para a Educação pelo Programa Erasmus Mundus (EUROMIME), membro do Pólo Franco-Ibérico da ABED e organizadora dos cursos D.M. & J.N. E-mail: julisnunes@gmail.com

Para mais detalhes consultar: http://lattes.cnpq.br/2190020249509481



[1] Joseph Novak é professor emérito da Universidade de Cornell nos Estados Unidos e pesquisador sênior do Instituto para a Cognição do Homem e da Máquina (Institute for Human and Machine Cognition - IHMC), instituição de pesquisa sem fins lucrativos da Universidade da Flórida e parceiros que tem como finalidade a qualidade e a eficiência na interação entre o homem e a máquina.

[2] O software Cmap Tools foi desenvolvido pelo IHMC no início dos anos 90. Em sua quarta versão, ele é o mais utilizado entre os softwares disponíveis na rede para a edição de mapas conceituais, por ser gratuito e devido as suas características e extensas possibilidades de trabalho.

[3] As competências de aprendizagem que abordamos se baseiam no Projeto Alfa Tuning América Latina, surgido em 2002 a partir do Projeto Tuning. Disponível em http://www.tuning.unideusto.org/tuningal/.

Last modified: Saturday, 8 Jun 2013, 17:26