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Sessão 6 — Apoiando vítimas e sobreviventes

6.1 Introdução

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Nesta sessão, você entenderá mais sobre abordagens centradas no sobrevivente e sensíveis ao trauma.

Resultados de aprendizagem

Nesta sessão, você vai:

Examinar o que significa abordagens centradas no sobrevivente e sensíveis ao trauma.

Compreender o que significa ser centrado no sobrevivente e sensível ao trauma quando responder a uma revelação.

Examinar como incorporar essas abordagens na prática da sua organização.

Examinar os benefícios do engajamento de pessoas com experiência vivida de abuso.

Entender como envolver pessoas com experiência vivida de forma significativa e segura.

Vamos começar.

6.2 Aplicando o que aprendeu: comentário

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Tarefa 2

Desenvolva o seu próprio fluxograma de salvaguarda para responder a preocupações na sua organização.

Comment

É uma etapa muito importante ter um processo que todos deverão seguir se tiverem uma preocupação e que você seguirá quando receber uma.

Isso ajuda a aumentar a conscientização sobre o que fazer e ajuda a garantir que todos sigam um processo consistente, para que preocupações não sejam negligenciadas nem fiquem sem resposta.

Depois de ter o fluxograma aprovado, será muito importante compartilhá-lo amplamente, para que todos saibam o que deverão fazer se tiverem uma preocupação e o que acontecerá em seguida.

A seguir, você voltará ao conteúdo do curso e examinará a importância de ser centrado no sobrevivente e sensível ao trauma.

6.3 O que é uma abordagem centrada na vítima ou no sobrevivente?

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Uma abordagem centrada na vítima ou no sobrevivente coloca os interesses das pessoas que sofreram abuso no centro da forma com que a organização responde e gerencia os casos de salvaguarda.

Um ponto de partida útil é entender como as pessoas gostariam de ser chamadas.

Ao longo desta sessão, usaremos os termos vítima, sobrevivente e pessoa com experiência vivida de abuso. A tendência é usar "vítima" com mais frequência para crianças, mas nem sempre é o caso.

Cada pessoa é diferente, e é importante usar palavras que sejam adequadas para cada uma delas.

Abuso não recente

É melhor evitar o uso do termo “abuso histórico” e, em vez disso, usar abuso não recente.

Isso se deve ao fato de que, embora o abuso possa ter ocorrido no passado, os seus efeitos podem estar muito presentes para a pessoa envolvida.

Primeiramente, vamos examinar como você deve responder a uma revelação de abuso.

6.4 Qual é a resposta apropriada quando alguém revela ter sofrido abuso?

Ser centrado na vítima ou no sobrevivente começa com a forma como você responder aos casos de abuso. Embora seja raro você tomar conhecimento de um abuso por meio da revelação direta da vítima, é importante entender os princípios básicos de resposta a esse tipo de situação.

Lembre-se de que é preciso coragem e confiança para que alguém conte a outra pessoa sobre experiências dolorosas, humilhantes ou assustadoras.

Muitas vezes, os abusadores convencem a vítima de que elas são igualmente responsáveis pelo que aconteceu, fazem ameaças de que os outros não acreditarão nela ou de que ela será prejudicada se contar a alguém o que ocorreu.

Tudo isso pode fazer parte do processo de aliciamento descrito no Curso 2 — Sessão 3.

Entender isso e garantir que essas informações fundamentem a sua resposta a uma pessoa que sofreu abuso pode ter um impacto extremamente positivo no bem-estar da vítima - inclusive na forma como ela se recupera do trauma.

Atividade: Identificar as respostas apropriadas a uma pessoa que revela um abuso

Imagine que uma criança abordou você e descreveu ter sofrido abuso emocional e físico por uma pessoa de confiança no esporte. Lembre-se de que é importante abordar cada notificação com a mente aberta, pois cada caso terá circunstâncias diferentes.

Leia as onze respostas abaixo. Decida, em cada uma delas, se você acha que a resposta é apropriada na situação. Reflita sobre o motivo da sua escolha.

a. 

Sim


b. 

Não


The correct answer is b.

b. 

A resposta pode reforçar sentimentos de repulsa ou culpa e, provavelmente, fará com que a vítima não revele mais nada.


a. 

Sim


b. 

Não


The correct answer is a.

a. 

A resposta tranquiliza a criança e aprova a revelação.


a. 

Sim


b. 

Não


The correct answer is a.

a. 

A resposta pede permissão e devolve algum controle ao indivíduo, e é importante que você registre os pontos principais.


a. 

Sim


b. 

Não


The correct answer is b.

b. 

Você precisará contar a alguém. No entanto, você pode explicar que as informações só serão compartilhadas com pessoas que poderão ajudar.


a. 

Sim


b. 

Não


The correct answer is a.

a. 

É uma resposta empática e muito positiva para o indivíduo.


a. 

Sim


b. 

Não


The correct answer is b.

b. 

A resposta parece contestar e duvidar do relato da vítima, além disso exalta o agressor como uma boa pessoa.


a. 

Sim


b. 

Não


The correct answer is a.

a. 

É outra mensagem positiva sobre tomar medidas para ajudar o indivíduo.


a. 

Sim


b. 

Não


The correct answer is b.

b. 

É realmente importante que as vítimas sejam incluídas e informadas sobre o processo, para que não sintam que perderam o controle do próprio caso.


a. 

Sim


b. 

Não


The correct answer is b.

b. 

Não é aceitável fazer alguém repetir a revelação nem apresentar um colega para registrar o que foi dito. A vítima escolheu você para fazer a revelação; portanto, você deve ouvir atentamente e se esforçar para, ao mesmo tempo, registrar o maior número de detalhes possível.


a. 

Sim


b. 

Não


The correct answer is a.

a. 

É uma explicação honesta do que você fará e por quê.


a. 

Sim


b. 

Não


The correct answer is a.

a. 

Esse tipo de resposta ajuda as vítimas a manter senso de controle e, também, a se preparar para o que acontecerá em seguida.


Comment

Uma abordagem centrada na vítima ou no sobrevivente significa fazer todo o possível para tranquilizar e apoiar a pessoa que faz a revelação. Isso inclui ser honesto quanto ao que você precisará fazer (por exemplo, encaminhar os detalhes) para que a pessoa tenha o apoio necessário.

Você aprendeu como ser mais centrado na vítima ou no sobrevivente na sua abordagem inicial. Em seguida, você examinará como incorporar essa abordagem em toda a sua prática de gerenciamento de casos.

6.5 Como você pode incorporar essa abordagem em todo o gerenciamento de casos?

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O que você diz na abordagem inicial é fundamental para tranquilizar a pessoa de que ela fez a coisa certa com a revelação, mas não é o único elemento do sistema que você precisa ter como foco.

Atividade: Por que é importante incorporar a abordagem centrada na vítima ou no sobrevivente em todo o gerenciamento de casos?

Considere a tabela abaixo e, em cada aspecto, anote por que você acha que ele é importante. Você pode ver as nossas opiniões no final.

Aspecto da abordagem centrada na vítima ou no sobrevivente

Reflexões do aluno sobre por que é importante

Estabelecer e promover mecanismos de notificação seguros e acessíveis.

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Responder de forma sensível, rápida e eficaz às preocupações notificadas.

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Ter funcionários que entendam o impacto de trauma e abuso nos indivíduos.

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Garantir apoio às vítimas em todas as etapas do processo de gerenciamento de casos.

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Realizar investigações confidenciais e respeitosas.

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Manter as vítimas atualizadas e informadas sobre o progresso, os resultados e as próximas etapas.

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Valorizando e buscando aprender com as experiências das vítimas.

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Comment

Aspecto da abordagem centrada na vítima ou no sobrevivente

Nossas respostas

Estabelecer e promover mecanismos de notificação seguros e acessíveis.

Se os mecanismos forem seguros e acessíveis, será mais provável que as pessoas revelem que sofreram abuso.

Responder de forma sensível, rápida e eficaz às preocupações notificadas.

As pessoas que sofreram abuso não devem estar sujeitas a demoras nem a um processo ineficiente. Isso pode agravar o trauma.

Ter funcionários que entendam o impacto do trauma e do abuso nos indivíduos.

O apoio às vítimas de abuso requer conhecimento especializado e discernimento para que seja bem feito.

Garantir apoio às vítimas em todas as etapas do processo de gerenciamento de casos.

O trauma não termina com a revelação - o processo de notificação e de investigação pode ser igualmente traumático, e as vítimas precisam do apoio adequado.

Realizar investigações confidenciais e respeitosas.

Manter a confidencialidade das informações e compartilhá-las somente quando necessário é muito importante para preservar a privacidade.

Manter as vítimas atualizadas e informadas sobre o progresso, os resultados e as próximas etapas.

Se não forem informadas sobre o progresso, as vítimas poderão sentir que não recebem atualizações ou que perderam o controle do seu próprio caso. Isso pode agravar o trauma.

Reconhecer o valor e buscar aprender com as experiências das vítimas.

As pessoas com experiência vivida são especialistas nas suas próprias experiências e podem ajudar você a criar um sistema mais forte.

Alguns elementos do sistema de gerenciamento de casos podem precisar ser ajustados para que sejam mais centrados na vítima e no sobrevivente e, também, para que reduzam as chances de retraumatização ou dano, incluindo:

  • Garantir que os processos não exijam que uma pessoa que faz uma revelação repita os detalhes do relato para várias outras pessoas.
  • Fornecer capacitação em salvaguarda e apoio aos funcionários, para que eles estejam preparados para ouvir uma revelação.
  • Garantir que o processo de audiência disciplinar não dê à pessoa acusada a oportunidade de questionar ou interrogar todas as testemunhas - pois isso aumenta a possibilidade de a vítima ser retraumatizada ou sofrer novo abuso por parte do suposto agressor durante o procedimento.

Uma abordagem centrada na vítima

É muito importante fazer todo o possível para colocar a experiência e os sentimentos da vítima no centro dos seus processos.

Em seguida, você examinará como trabalhar com pessoas com experiência vivida de abuso para aprimorar os seus sistemas.

6.6 Por que você deve envolver adultos com experiência vivida de abuso?

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As pessoas que sofreram abuso no esporte estão em uma posição única para fornecer informações e aprimorar a salvaguarda. As organizações devem criar oportunidades para que as pessoas com experiência vivida possam ser ouvidas e devem aprender com elas para tornar o ambiente esportivo mais seguro.

Frequentemente, o abuso causa impactos que perduram até a idade adulta, e algumas pessoas querem usar essas experiências para ajudar a proteger outras pessoas. Muitas outras escolhem não fazer isso ou não conseguem. É fundamental que toma cuidado ao abordar, envolver e apoiar indivíduos ou grupos.

A maioria das pessoas com experiência vivida preza pelo “controle”, “respeito” e “sentimento de se sentir valorizada”. Ao envolver sobreviventes de abuso no esporte, eles precisam sentir que as pessoas acreditam neles e, também, devem se sentir reconhecidos, seguros e empoderados.

Atividade: Por que envolver pessoas com experiência vivida?

Pare um momento para refletir sobre os benefícios de envolver pessoas com experiência vivida na sua salvaguarda. Pense nos possíveis benefícios para elas como indivíduos e, também, para a sua organização.

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Comment

Veja o que pensamos:

  • Benefícios para os indivíduos: Frequentemente, eles querem ser ouvidos, pois desejam promover mudanças - eles querem saber que o seu sofrimento é importante o suficiente para gerar ação. Ajudar outras pessoas a não sofrer pode dar sentido ao sofrimento pelo qual passaram.
  • Benefícios para a organização: Testemunhos pessoais ajudam a convencer outras pessoas da realidade e do impacto de abuso e, também, da necessidade de agir. Pessoas com experiência vivida podem estar mais bem preparadas para avaliar criticamente os procedimentos de salvaguarda e mecanismos de notificação atuais.

Envolvendo pessoas com experiência vivida requer comprometimento. Primeiramente, a pessoa poderá ser retraumatizada se você não fizer a preparação correta nem adotar os procedimentos de apoio adequados. Você também precisa ser sincero e não superficial no seu engajamento.

Engajamento

Qualquer engajamento deve ser significativo e ter o potencial de impactar o que a sua organização diz e faz.

"Se a experiência do sobrevivente será de cura ou de retraumatização depende do que a organização realmente está disposta a fazer com a mensagem que recebe."

(Fonte: Rachael Denhollander, sobrevivente de abuso sexual na Federação de Ginástica dos Estados Unidos)

6.7 Como as pessoas com experiência vivida de abuso podem contribuir para a salvaguarda?

Há diversas maneiras pelas quais as pessoas com experiência vivida de abuso podem contribuir para melhorar os procedimentos de salvaguarda de uma organização.

  • Fornecer suporte especializado à organização, inclusive por meio de funções no Conselho.
  • Permitir que as suas experiências e o que elas aprenderam sejam compartilhados em capacitações.
  • Orientar Gerentes de Salvaguarda ou gerentes seniores no desenvolvimento de políticas ou práticas específicas.

Você pode encontrar mais detalhes na página Recursos de Salvaguarda . Navegue até a guia Conteúdo e, em seguida, escolha Recursos Adicionais de Salvaguarda na guia Parceiros do Curso. Em seguida, escolha os logotipos da CPSU e TAOS.

Agora, vamos considerar as abordagens apropriadas para interagir com pessoas com experiência vivida de abuso.

6.8 Como você pode se engajar efetivamente com pessoas com experiência vivida de abuso?

A estrutura a seguir foi elaborada a partir de pesquisas e descreve uma abordagem para o engajamento seguro e eficaz com pessoas com experiência vivida de abuso.

Atividade: Identificar as principais características das quatro etapas do engajamento

Examine a tabela abaixo, que mostra três áreas que devem ser consideradas — Logística, Abordagem sensível ao trauma e Confiança — no planejamento de cada uma das quatro etapas do engajamento: Pré-engajamento, Convite, Colaboração e Acompanhamento.

Já preenchemos alguns campos da tabela, mas ainda faltam ações em cinco campos. As informações que faltam são exibidas nos blocos abaixo da tabela. Arraste e solte as diferentes ações no espaço relevante da tabela.

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Adaptado de: Mountjoy et al. (2022)

6.9 Orientação para o engajamento de atletas com experiência vivida de abuso

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A orientação a seguir foi elaborada para a UK Child Protection in Sport Unit (CPSU, Unidade de Proteção à Criança no Esporte do Reino Unido) e foi elaborada com a ajuda de Karen Leach, ex-nadadora com experiência vivida de abuso na infância.

"Eu falo da minha experiência porque acredito que tenho percepções que são valiosas para todos os envolvidos no esporte e para ajudar a evitar que o que aconteceu comigo aconteça novamente. Pode ser muito difícil revisitar essas experiências, mas quando o trabalho é bem planejado e pensado pela organização, ele pode resultar em medidas muito importantes e significativas a serem tomadas. No entanto, é importante entender que, sem o apoio robusto da organização, a pessoa com experiência vivida pode se sentir abusada novamente."

Talvez você consiga identificar outras organizações, como a CPSU, que oferecem orientação semelhante na sua região.

Examinando os cinco temas de orientação da CPSU

Percepção

Cada pessoa tem experiências diferentes, portanto, você deve entender isso antes de começar o seu trabalho:

  • Demonstre gentileza, compreensão e empatia.
  • Reconheça que cada pessoa é um indivíduo e, portanto, terá necessidades diferentes.
  • Ouça para entender o que está sendo comunicado, em vez de para responder.
  • Entenda que as pessoas estarão em estágios diferentes na sua experiência e recuperação - coisas como aconselhamento, e se a pessoa já ter falado da experiência antes, podem influenciar o impacto nela.
  • Mantenha a comunicação aberta e oportuna.
  • Entenda que o reconhecimento e pedido de desculpas por parte da liderança da organização esportiva, frequentemente, é extremamente importante para pessoas com experiência vivida.
  • Reconheça que seja necessária uma ação proativa contínua para criar e manter organizações responsáveis por reduzir o risco de abuso. 

Respeito

Falar pode ser muito difícil, e os desejos e limites da pessoa devem ser respeitados:

  • Considere a possibilidade de pagar pela expertise da pessoa, pergunte a ela qual seria o seu honorário e avalie se ela terá ou não despesas.
  • Crie um contrato para definir como o trabalho será realizado e como será usado no futuro.
  • Considere oferecer a opção de aprovar citações e remover conteúdo no futuro, especialmente, se for provável que a pessoa fale de elementos da sua experiência vivida de abuso sexual.
  • Estabeleça um acordo para definir como as citações serão usadas e onde o conteúdo será exibido, por exemplo, em mídias sociais, comunicados à imprensa, site, newsletters, pôsteres etc.

Planejamento

Antes de falar com uma pessoa com experiência vivida, considere o que você deseja realizar, e tente definir um objetivo mensurável:

  • Pense no que o trabalho poderia realmente envolver, por exemplo, comentar sobre uma política, participar de uma conferência, falar de uma experiência para fins educacionais ou de capacitação.
  • Envolva a pessoa com experiência vivida de abuso para que ela decida como quer ser incluída e para que direcione o seu engajamento.
  • Forneça à pessoa com experiência vivida de abuso cuidados e apoio sensíveis ao trauma.
  • Garanta tempo suficiente para cada etapa do trabalho e ofereça pausas frequentes, especialmente se o trabalho envolver a pessoa falar de suas experiências.
  • Reconheça que falar de suas experiências pode causar impacto considerável em uma pessoa. Os organizadores devem cuidar de todos os aspectos práticos, como hotéis, táxis e refeições, para que a pessoa possa se concentrar no que precisa fazer.
  • Tente definir as principais informações práticas, como pagamento, despesas, termos, datas e possíveis cronogramas, no primeiro contato.
  • A pessoa com experiência vivida deve estar de acordo com o local de trabalho ou de reuniões, que deve ser um local ou um lugar no qual possa ser criado um ambiente seguro.
  • Discuta se a proposta atende aos objetivos da pessoa com experiência vivida.

Linguagem

Pessoas usam termos diferentes para descrever o abuso sexual na infância, e você deve reconhecer que os termos são uma escolha pessoal e podem evocar sentimentos fortes.

  • Tente usar o termo preferido da pessoa em informações impressas, como em biografias, programações, legendas, entre outros, e quando falar com ela também.
  • Para descrever um abuso que ocorreu há algum tempo, tente fornecer o contexto ou use “abuso sexual na infância”. Às vezes, pode ser necessário dizer “abuso não recente”, mas o termo “abuso histórico” deve ser evitado, pois implica erroneamente que o impacto já terminou para a pessoa.
  • Quando descrever a experiência de uma pessoa, considere como os significados de algumas palavras que você usa podem gerar associações para ela. Para a mídia, por exemplo, “história” é outra palavra para “artigo”, mas a palavra “história” também está associada à narrativa fictícia e ao entretenimento, o que pode ofender a pessoa que fala da sua experiência na vida real.

Cuidados contínuos

O diálogo deve continuar após um trabalho. Planeje continuar a conversa - lembre-se de que falar de experiências pode causar grande impacto em uma pessoa e que ela pode precisar de apoio depois:

  • Discuta como esboços, resultados ou devolutivas do trabalho serão compartilhados e usados.
  • Discuta possíveis oportunidades de colaboração no futuro e dê seguimento a essas ideias.
  • Reconheça e valorize quem fala das suas experiências. Com a permissão da pessoa, coloque o nome dela no trabalho que ela fez com você.
  • Forneça apoio aos funcionários que trabalham com pessoas com experiência vivida e que podem considerar angustiante ouvir algumas das informações.
  • Adote um plano para que eles falem com alguém que possa apoiá-los durante e após o trabalho.
  • Reconheça a contribuição que pessoas com experiência vivida deram durante o tempo em que participaram do esporte ou clube e garanta que elas sejam reconhecidas da mesma forma que os seus colegas.

Na seção final, você analisará como todos no esporte devem desempenhar um papel no reconhecimento e na redução do trauma.

6.10 O que é uma abordagem sensível ao trauma?

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A abordagem sensível ao trauma é um elemento fundamental da abordagem centrada na vítima ou no sobrevivente. Ela reconhece a existência do trauma e admite o papel que o trauma pode desempenhar na vida de um indivíduo.

Além disso, enfatiza a compreensão, o respeito e a resposta adequada aos efeitos do trauma em todos os níveis. Este é uma abordagem que todos na sua organização devem aprender sobre - principalmente quem tem mais contato com atletas - como os seus treinadores.

Atividade: Criar uma abordagem sensível ao trauma no treinamento esportivo

The Army of Survivors (O Exercito de Sobreviventes), organização com sede nos EUA que aumenta a conscientização sobre o problema sistêmico do abuso sexual contra atletas, desenvolveu oito etapas para a criação de um ambiente de treinamento mais sensível ao trauma. Talvez você consiga identificar outras organizações, como The Army of Survivors, que ofereçam orientação semelhante na sua região.

Use os menus suspensos de cada uma das oito etapas para associá-las à função que desempenham na criação de um ambiente sensível ao trauma.

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Comment

Embora alguns funcionários possam assumir funções de especialistas, como aconselhamento, todos na organização têm um papel a desempenhar na criação de um ambiente que não retraumatize pessoas que sofreram abuso.

Para começar, ajude os seus colegas a entender melhor o trauma e o impacto que ele causa nas pessoas, como parte da capacitação e da conscientização em salvaguarda.

6.11 Resumo da Sessão 6

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As principais aprendizagens e mensagens desta sessão são:
  1. Uma abordagem centrada na vítima ou no sobrevivente envolve fazer todo o possível para tranquilizar e apoiar a pessoa que faz uma revelação.
  2. Essa abordagem deve ser incorporada em todos os aspectos da salvaguarda.
  3. As pessoas que sofreram abuso no esporte estão em uma posição única para fornecer informações e aprimorar a salvaguarda.
  4. Qualquer engajamento com pessoas com experiência vivida de abuso deve ser significativo e ter o potencial de realmente impactar o que a sua organização diz e faz.
  5. Todos na sua organização têm um papel a desempenhar na criação de um ambiente que não retraumatize pessoas que sofreram abuso.

Quando estiver pronto, passe para a Sessão 7 — Juntando tudo: salvaguarda em eventos, onde você descobrirá mais sobre alguns dos principais princípios que pode seguir quando responder a preocupações.