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Sessão 6 — Como levantar preocupações de salvaguarda?

6.1 Introdução

Apesar dos melhores esforços das organizações para prevenir o abuso, preocupações de salvaguarda ainda serão notificadas. É importante observar que isso não deve ser visto como ruim - se uma preocupação for notificada, você poderá fazer algo a respeito.

Resultados de aprendizagem

Nesta sessão, você vai:

Examinar as formas pelas quais pode tomar conhecimento de preocupações.

Compreender as formas apropriadas de responder.

Identificar os motivos pelos quais muitas crianças se sentem incapazes de revelar um abuso, mesmo quando elas já são adultas, e as implicações disso para os que estão ao seu redor.

Reconhecer algumas das diferenças entre notificações de abuso de adultos e de crianças.

Vamos começar!

6.2 Tomando conhecimento de preocupações de salvaguarda

Há muitas formas pelas quais a sua organização pode tomar conhecimento de preocupações relacionadas a uma pessoa.

Como a sua organização pode tomar conhecimento de preocupações de salvaguarda?

Examine o recurso interativo abaixo, que mostra como, frequentemente, as organizações tomam conhecimento das preocupações. Selecione cada afirmação para saber mais. Há exemplos novos para você?

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Como você aprendeu, há muitas formas pelas quais as preocupações podem ser levantadas. As preocupações de salvaguarda nem sempre são recebidas em forma de notificações escritas. As preocupações podem ser levantadas verbalmente ou por meio de uma plataforma on-line. Elas também podem ser levantadas anonimamente.

E se uma lei tiver sido violada?

Se houver suspeita de que um crime possa ter sido cometido, as preocupações deverão ser encaminhadas às autoridades competentes (como a polícia ou os serviços de proteção à criança), para que elas possam iniciar uma investigação formal.

Lembre-se de que as autoridades são responsáveis por investigar crimes e, também, fornecer apoio às vítimas de abuso.

É importante notar que, em alguns casos, você pode temer que fazer uma denúncia oficial à polícia ou às autoridades possa piorar a situação da vítima. Você deve sempre se guiar pelo princípio de não causar dano e buscar orientação de organizações e prestadores de serviços confiáveis, como pessoas que atuam como defensores de crianças em processos judiciais, para ajudar nessas decisões. Você também deve verificar se a denúncia de abuso infantil é obrigatória no seu país.

6.3 O que é revelação?

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Quando uma criança ou um adulto conta a outra pessoa sobre um incidente ou sobre uma pessoa que abusou dele, isso é chamado de revelação. Para ajudar você a pensar sobre a melhor forma de responder a uma revelação, vamos manter o foco da sua aprendizagem em como responder às crianças.

As crianças são mais propensas a revelar a uma pessoa que elas conhecem e em quem confiam - por exemplo, um pai, um treinador, um médico, um amigo ou o gerente de salvaguarda do seu clube esportivo. É importante que esteja claro para você alguns “faça” e “não faça” quanto à revelação, caso você seja a pessoa a quem a criança recorrer, para saber a melhor forma de gerenciar essas situações.

Orientação para responder a uma revelação

Pense por um momento em como deve reagir se uma pessoa contar a você sobre um abuso.

Faça uma lista do que fazer e do que não fazer, por exemplo, manter a calma.

Ao se inscrever neste curso, você poderá visualizar e concluir todas as suas atividades, acompanhar seu progresso na seção “My OpenLearn Create” e, ao concluir um curso, poderá baixar e imprimir um Certificado de participação gratuito, que poderá ser usado para comprovar sua participação.

O mais importante é proporcionar um ambiente no qual a criança se sinta mais segura por revelar do que por guardar o segredo. Lembre-se de que a criança está demonstrando grande confiança na pessoa com a qual ela escolhe se abrir. Fazer algumas perguntas para deixar claro o que a criança diz não tem problema, mas não é sua responsabilidade entrevistar a criança. Isso é função de especialistas treinados ou da polícia.

Fazer anotações também não tem problema, desde que não afete o que a criança está dizendo e que você tenha explicado por que é importante anotar o que ela diz.

Depois, é importante escrever o máximo possível sobre as falas da criança (usando o máximo possível da linguagem e da descrição dela) e as circunstâncias da revelação. Essas informações contribuirão para qualquer investigação e ação subsequente.

Às vezes, essa pode ser a única vez que uma criança fala com alguém sobre as suas experiências - portanto, ter um registro preciso da conversa é vital.

A experiência mostra que as revelações diretas feitas pelas crianças são relativamente raras, geralmente, você toma conhecimento de preocupações de formas menos diretas.

Agora vamos examinar por que as crianças talvez nunca contem nada diretamente a alguém.

6.4 Por que as crianças raramente revelam o abuso?

É importante entender por que muitas crianças não denunciam o abuso; isso ajudará a sua organização a implementar processos de notificação que sejam os mais fáceis possível para as crianças.

Na próxima atividade, você examinará isso com mais detalhes.

O que impede que crianças revelem o abuso?

No curso Os Fundamentos de Salvaguarda, você conheceu a Priya, que sofria abuso sexual de um gerente sênior do seu clube de rúgbi.

Aviso

Assista ao vídeo novamente e identifique DOIS motivos pelos quais a Priya está relutante em falar sobre o abuso.

Legendas ocultas

Use o botão CC no player de vídeo abaixo para habilitar as legendas.

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Caixa de transcrição

Caixa de transcrição. Você pode ampliar a caixa de transcrição arrastando-a para o canto inferior direito da caixa.

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A Priya está relutante em contar a alguém sobre as suas experiências de abuso porque:

  1. O abusador está em uma posição de poder e pode decidir quem joga no time e quem não joga.
  2. A Priya está apavorada com a possibilidade de o gerente sênior machucá-la ou machucar a sua família se ela denunciar.

As preocupações que silenciaram a Priya são baseadas na perda da sua participação futura neste nível do esporte - e nas ameaças de prejudicá-la e prejudicar a sua família.

Infelizmente, esses não são os únicos motivos pelos quais as pessoas relutam em revelar o abuso. Você examinará isso mais profundamente na próxima seção.

6.5 Quais são outros motivos pelos quais as crianças não revelam o abuso?

Vamos ler por que é improvável que você saiba do abuso diretamente da própria criança.

Outros motivos pelos quais é improvável que as crianças revelem o abuso

Para cada afirmação que você lê, pense no que impedia a revelação, antes de clicar nela para ver o feedback.

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Isso destaca que há muitos motivos pelos quais as crianças podem não conseguir revelar o abuso que sofrem. Isso torna muito importante que você seja capaz de identificar os sinais e os comportamentos que indicam que o abuso pode estar acontecendo.

6.6 Conheça a Rejeli: o que podemos aprender com a sua experiência?

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Agora, você vai acompanhar a experiência da Rejeli (uma das companheiras de equipe da Priya), que sofre abuso do mesmo gerente sênior.

A experiência da Rejeli: identificando os sinais de abuso

A finalidade desta atividade é pensar nos sinais que podem indicar que a Rejeli está sofrendo abuso.

Leia o relato dela e responda à pergunta a seguir.

“Há aproximadamente um ano, conheci esse gerente sênior. Ele tinha acabado de conseguir um cargo importante na federação de rúgbi. Ele sempre fazia questão de conversar conosco, geralmente, na hora das refeições ou no salão de jogos, à noite. Eu tive algumas longas conversas com ele sobre rúgbi e como eu queria melhorar - ele sabe muito sobre o jogo e parecia genuinamente interessado.

Mas, uma vez, a maioria das outras tinha saído para algum lugar, e eu acabei a sós com ele. Aí ele surtou - de repente se lançou em mim e me agarrou. Disse que, se não quisesse ser retirada do time, eu teria que “ser legal” com ele. Eu estava apavorada. Chocada e insensível. Eu sabia exatamente o que ele queria dizer - ele queria que eu fizesse sexo com ele. Ele me levou para o quarto dele...

É horrível, e me sinto envergonhada, mas não tinha escolha. Desde então, isso acontece sempre que o time sai para acampamentos e partidas. Eu tenho medo de vê-lo e odeio o que ele me faz fazer.”

Que sinais físicos e comportamentais alguém pode perceber que indicam que a Rejeli está infeliz e que pode estar sofrendo abuso?

Um sinal físico é algo que você consegue ver, como o tipo de roupa que uma pessoa está vestindo ou se uma pessoa lavou suas roupas ou o cabelo. Sinais também incluem coisas como hematomas ou estar doente.

Um sinal comportamental é como uma pessoa reage ou se comporta em determinadas situações, como ficar chateada ou passar a ser retraída. O sinal está ligado às emoções da pessoa e a como ela está se sentindo.

Para cada um dos indicadores a seguir, escolha no menu suspenso se ele é um indicador físico ou um indicador comportamental.

Visitantes não podem usar questões incorporadas.
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Esses são os tipos de sinais que as companheiras de equipe da Rejeli, treinadores ou outras pessoas podem ter notado. Ela está claramente infeliz com a sua situação e, provavelmente, isso aparecerá de várias formas irrespectivo se ela pretender revelar ou não o que está passando.

Você vai notar que alguns dos sinais não indicam necessariamente que a Rejeli está sofrendo abuso sexual. No entanto, todos eles devem despertar preocupações de que algo possa estar seriamente errado com ela - e devem ser comunicados ao gerente de salvaguarda.

Orientação para todos os adultos no esporte

Você não deve esperar que crianças contem a você sobre o abuso, portanto, é importante estar ciente dos sinais e sintomas do abuso.

6.7 Por que alguém não falaria as suas preocupações?

Como você aprendeu, é importante que todos notifiquem todas as preocupações que tenham sobre a segurança e o bem-estar de alguém. Todos têm a responsabilidade de agir.

No entanto, algumas pessoas ficam relutantes e podem não notificar as suas preocupações. Isso pode ser por medo de estarem erradas, ou por medo das consequências. Às vezes, por falta de conhecimento dos sinais ou do impacto do abuso, ou talvez, simplesmente, por não saberem o que fazer ou como notificar.

Você examinará isso com mais detalhes em um curso posterior.

6.8 Outros tipos de preocupações com o bem-estar das crianças

Quando o esporte é um ambiente seguro para crianças, elas podem se sentir à vontade para compartilhar preocupações com as pessoas em quem confiam, como com o treinador. Por exemplo, uma criança pode contar que enfrenta problemas de saúde mental ou que sofre abuso fora do ambiente esportivo. Qualquer que seja o problema de bem-estar, você tem a responsabilidade de agir no melhor interesse da criança e compartilhar as preocupações que você tem.

Conheça a Patience: uma gerente de salvaguarda experiente

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Durante a segunda metade deste curso, você ouvirá mais da Patience. A história dela ajuda a ilustrar alguns dos desafios e soluções que ela vivenciou nos primeiros anos na sua função.

Vamos ouvir e descobrir mais.

Algo que eu aprendi sobre preocupações de salvaguarda

Escute o relato dela. O que a Patience aprendeu e como ela deu o apoio necessário?

Download this audio clip.Audio player: nc5265_2024_aug002_unicef_ii_patience-english.mp3
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Como a Patience sugere, é uma boa prática para a sua organização descobrir que tipo de apoio está disponível na sua comunidade.

6.9 Quais são as diferenças entre as notificações que envolvem crianças e as notificações que envolvem adultos?

Muitas vezes, presume-se que a salvaguarda se aplica somente a crianças (pessoas menores de 18 anos), mas ela é igualmente pertinente a adultos que possam sofrer assédio e abuso.

Você e a sua organização precisam entender as principais diferenças entre os casos de salvaguarda de crianças e de adultos no contexto local. A principal diferença é o princípio de que adultos devem estar envolvidos nas decisões sobre o que acontece no caso deles. Isso faz parte de uma abordagem centrada na vítima ou no sobrevivente.

Os adultos são considerados capazes de fazer escolhas fundamentadas em informações do que eles querem que aconteça e do que farão em relação ao abuso e, em alguns contextos, você pode precisar do consentimento deles para compartilhar uma preocupação. Não é esse o caso de crianças, no qual você será obrigado a agir se tomar conhecimento de alguma preocupação.

O importante é entender as regras que se aplicam ao seu contexto e como elas são diferentes para crianças e para adultos.

6.10 Aplicando o que aprendeu

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Esta é a segunda de duas ocasiões no curso em que pedimos que você aplique o que aprendeu fora do curso, no seu próprio tempo.

Estas tarefas ajudarão você a aprofundar a sua compreensão e a aplicar a sua aprendizagem na vida real, e elas não fazem parte da avaliação do curso.

Tarefa 2

Identifique as políticas e os procedimentos que a sua organização tem em vigor para prevenir e responder a preocupações de salvaguarda.

  • Nesta tarefa, você precisa encontrar as políticas e os procedimentos pertinentes que a sua organização tem relacionados à salvaguarda.
  • Leia as políticas e os procedimentos para ver se eles abordam tanto a prevenção quanto a resposta.
  • Faça uma lista de todas as áreas que você acha que poderiam ser fortalecidas com a aprendizagem deste curso e fale sobre isso com o gerente de salvaguarda.

6.11 Resumo da Sessão 6

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As principais aprendizagens e mensagens desta sessão são:
  1. Existem várias formas pelas quais as preocupações de salvaguarda podem ser levantadas — todas precisarão de uma resposta.
  2. Há muitos motivos pelos quais, muitas vezes, crianças, não fazem uma revelação direta do abuso, e a sua organização compreendê-los ajudará a tornar o trabalho de notificação funcionar melhor para as crianças.
  3. Os adultos ao redor das crianças precisam estar atentos aos sinais físicos e comportamentais que podem sugerir que uma criança sofre abuso - e devem fazer uma notificação.
  4. Algumas preocupações serão sobre o bem-estar geral da criança, por exemplo, a saúde física ou mental dela - a organização deve identificar aonde apoio pode ser encontrado para estes tipos de problemas.
  5. É importante entender as principais diferenças entre os casos de salvaguarda de crianças e de adultos no seu contexto local.

Quando estiver pronto, passe para a Sessão 7 — Gerenciando notificações e respondendo a preocupações, na qual você examinará como as organizações respondem a uma preocupação notificada.