Risco relativo

Risco de eventos dicotômicos (sim / não)

Vamos começar este curso apresentando uma medida bastante comum em publicações médicas e fácil de entender: o risco relativo ou razão de riscos, muitas vezes abreviado RR. Vejamos um exemplo recente, o artigo Castellucci e col., 2026, "Bleeding Risk with Apixaban vs. Rivaroxaban in Acute Venous Thromboembolism", N Engl J Med 394:1051-1060.

 Vamos examinar as seguintes frases do resumo do artigo:

A total of 2760 patients underwent randomization: 1370 to the apixaban group and 1390 to the rivaroxaban group. A primary-outcome event occurred in 44 of 1345 patients (3.3%) in the apixaban group and 96 of 1355 patients (7.1%) in the rivaroxaban group (relative risk, 0.46; 95% confidence interval [CI], 0.33 to 0.65; P<0.001).

Talvez a única razão para o RR não ser mais familiar a pesquisadores em ciências básicas é que no laboratório os desfechos mais comuns são quantitativos, enquanto o RR é adequado para desfechos clínicos que só têm dois valores: morto ou vivo, doente ou não, teve determinada complicação ou não.

De qualquer maneia, o cálculo não apresenta dificuldades. 

Medida Abreviação

Casos / Total

Valor
Risco com apixaban Rapi

44 / 1345

0.0327
Risco com rivaroxaban Rrix

96 / 1355

0.0708
Risco relativo RR

Rapi / Rrix

0.46

 

Às vezes, a literatura usa o logaritmo decádico do risco relativo. Aqui seria

log RR = log 0.46 = -1.33

O que significa um RR abaixo de 1 (ou um log RR negativo), como neste caso?  O segundo grupo, aqueles tratados com rivaroxaban, são protegidos contra o desfecho de sangramento, comparado ao primeiro grupo, aqueles tratados com apixaban.

Última atualização: segunda-feira, 6 jul. 2026, 17:36