Podemos similar um estudo randomizado?
Fala-se bastante em trials emulados
Na unidade de desenhos de estudo, vimos que um estudo randomizado é, de forma geral, o desenho onde é mais fácil de afirmar o efeito causal de um tratamento. Mas vimos também que estudos randomizados são difíceis de realizar em populações humanas, por razões tanto éticas quanto financeiras.
É possível resgatar um efeito causal de um estudo observacional? Nos últimos anos, o termo target trial emulation (emulação de um estudo clínico alvo) se espalhou. Algumas agências de fomento começaram a argumentar que não era necessário conduzir os estudos randomizados tão caros, se as análises podiam ser reconstituídas dos dados eletrônicos já existentes.
Truong e cols. recentemente publicaram uma emulação de estudo clínico randomizado: "Effectiveness and safety of direct oral anticoagulants versus warfarin in patients with atrial fibrillation and cancer", Cardiovasc Drugs Ther 39:823-835.
O que se destaca?
- Os dados são retrospectivos, o que normalmente deixaria uma interpretação causal ainda mais complicada
- O viés de confundimento (diferenças entre os pacientes dos dois braços do estudo) foi combatido usando pesos baseados na probabilidade inversa do tratamento (inverse probability treatment weights)
- O viés de seleção (neste caso, pela perda de contato com os pacientes) foi combatido usando pesos baseados na probabilidade inversa de censura (inverse probability censoring weights, também conhecidos como inverse probability selection weights)
Existem mais critérios que devem ser seguidos para poder falar em um estudo clínico emulados, mas vamos focar nestas duas técnicas nas próximas seções para então avaliar o quanto podem ajudar a eliminar os vieses.
