Estudos de coorte
O fundamento dos nossos conhecimentos sobre fatores de risco em humanos vem de grandes estudos de coorte
As grandes coortes
Fumar faz mal? Colesterol alto é perigoso? As respostas até agora mais convincentes a estas perguntas não vieram de estudos randomizados, mas de coortes. Foi a famosa coorte Framingham nos EUA que, depois de acompanhar uma amostra da população geral de uma cidade inteira durante 6 anos, publicou uma forte correlação entre níveis de colesterol e incidência de doenças cardíacas.
O que, afinal de contas, é uma coorte? É um conceito fundamental em epidemiologia, e vale a pena ler os capítulos em livros-texto.

Além das informações mostradas na imagem, tem outras considerações importantes:
- É necessário coletar um grande número de informações sobre cada participante, a começar com sexo, idade, escolaridade, renda e profissão. Sem levar em conta estas informações, a comparação entre quem está exposto ou não a um certo fator de risco seria facilmente enviesada.
- Para ter um número de casos incidentes com poder estatístico suficiente, é geralmente necessário recrutar pelo menos vários milhares, senão dezenas de milhares de participantes. Isso deixa estudos de coorte caros e incentiva os pesquisadores a fazer o melhor uso de dados de coortes já iniciadas.
Os altos custos das coortes são compensados pelas informações valiosas que contribuem, e elas ficam mais valiosas quanto mais tempo conseguem acompanhar os mesmos pacientes com o mínimo de perdas (vamos discutir os problemas causados por perdas em seções subsequentes). A coorte Framingham existe a 79 anos. A coorte mais famosa do Brasil é ELSA-Brasil.
Como mencionado na seção anterior, as associações calculadas a partir de coortes precisam ser cuidadosamente avaliadas antes de serem interpretadas como efeitos causais.
